quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Conto

Leia o primeiro capítulo de Mundo Suspenso em

https://dontworryliquidificador.wordpress.com/2017/08/31/mundo-suspenso-i/

Obrigada

Beijo, Beijo

domingo, 13 de agosto de 2017

mudança de endereço

Estamos testando novas plataformas, novos horizontes 

https://dontworryliquidificador.wordpress.com

Visitem.

Leiam.

Um abraço grande!


O blog aqui fica aberto.

Não gosto de Tchau definitivos, nem de grandes decisões. 
Ficamos assim. Aqui é lá. 

sábado, 12 de agosto de 2017

férias I

Oi.
Vamos recomeçar nos apresentando pra evitar que os coleguinhas novos visitem as potages antigas e encontrem momentos de vergonha e vexame*.
Me chamo "eu", moro na minha casa, depois da última mudança, com o meu marido  (palavra que ainda não me acostumei) e o seu cachorro. Sou farmacêutica e futuramente retornando ao status de estudante de um mestrado que nem começou e já é conturbado  (explicamos mais sobre outra hora). Atualmente trabalho como "operadora de numerização" , isso mesmo, não pergunte, nem eu sei o que quer dizer. 
Bom. Em resumo eu estou num momento de busca de mim mesma,  talvez não exatamente de rótulos ou definições, mas de limites  a serem ultrapassados e conquistas pra colocar na lista de coisas que fiz antes de morrer.
Nestes últimos meses tudo passou pelo filtro da dúvida. Tudo mesmo. Questões sobre o mundo e mim mesma que eu achava inabaláveis se dissolveram dentro do meu copo de tempestade desde que meus pés ganharam estrada. 
Sair de casa pode ser uma aventura muito perigosa de auto conhecimento.
Cuidado crianças, as malas estão novamente à porta.

*foram usadas dois sinônimos para reforçar a idéia na mente da autora.

sábado, 22 de julho de 2017

coragem

"Escrever é um ato de coragem."

Esta frase não é minha. Se você googlar vai descobrir que muita gente já disse isso antes de mim.
Eu estou aqui só concordando.

Por que escrever é um ato de coragem?

Talvez seja porque temos que mostrar quem somos sem o direito de contra resposta imediata.
Talvez porque eu escrevo e isso está resgistrado para sempre na efêmera eterna via internautica enquanto um google houver, muito mais tempo que uma palavra falada.
Talvez precise de coragem para escrever porque cada pessoa vai ter sua própria interpretação daquilo que eu disse, na verdade, muito provavelmente ninguém vai realmente chegar até a real intenção do que eu quis escrevendo.
Talvez porque escrever seja um trabalho a dois e eu não conheço realmente quem está do outro lado: você.

Escrever requer coragem porque me faz conhecer sombras de mim mesma que não conhecia até este instante.

Muitas coisas aconteceram... estou de retorno.
Estou procurando coragem.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Dizem que ser sensível é coisa de “mulherzinha”

Quando eu era pequena eu conheci cedo a encheção de saco dos pequenos machistinhas. Nas escolas que visitei apareciam cada vez novas maneiras de humilhação pelo único fato de ter nascido “mulherzinha”. Falavam mal do meu cabelo, crespo; da minha altura, porque eu era maior que eles; do meu sotaque, mistura entre o nordeste e todo o resto do nosso Brasil; da minha inteligência, porque eu era mais esperta; da minha afeição esportiva, porque eu corria mais rápido; do meu jeito de andar e falar, porque eu não era tímida; etc. Ao mesmo tempo eles pegavam no pé das garotas que não eram tão espertas, das que não eram tão esportivas, das que eram tímidas, das que não tinham sotaque além do local, das baixinhas, das gordinhas, das magrinhas, das negrinhas e das branquinhas. Como se qualquer característica fosse motivo para chacota quando você nasce garota.

Isso teve resultados, além de ter deixado algumas pernas alheias roxas pelo caminho, me endureci, me fechei, me blindei totalmente contra essas palavras. Eu me protegi de todo esse ácido e corrosivo veneno que vem sendo destilado a milênios e repetido por gerações, uma após a outra sem muita criatividade. Aprendi a ignorar, a não escutar, a ter ouvidos e coração, mais que seletivos, pedrificados. Passei a julgar as pessoas pelas primeiras palavras que proferiam e a classifica-las em pessoas e sombras, sendo que essas eram mudas para mim como um muro de cemitério. Aprendi a não dar segunda chance. Aprendi a condenar vidas em três minutos.

Os anos foram passando, o machismo não mudou, então eu continuava usando minhas armas de defesa. Fechada na minha fortaleza, quando ouvia o murmúrio de uma garota falando alguma besteira por puro reflexo de repetir palavras vazias, eu me afastava no maior silêncio que podia para que ela não percebesse a minha ausência até o momento que isso não fizesse mais diferença. Se o mundo é machista, se o sistema é machista, se tudo que eu vejo tá errado, então o mais sensato a fazer é criar um mundo só para mim, no meu silêncio, andar na beirada e evitar companhias machistas ácidas, garotos ou garotas, evitar ter contato pessoal e pronto, assim o meu mundo não vai ser machista. Certo?

Bom, é claro que esse método até funcionou por um tempo, como vocês podem imaginar, eu consegui sucesso com alguns momentos de paz na minha vida. Mas toda vez que eu saía na rua à noite, toda vez que eu ligava a tevê no horário do jornal, da novela, do filme, do seriado juvenil, toda vez que ia fazer aula de educação física, de literatura, de química, de matemática, de português, de história, toda vez que eu assistia um filme “americano”, Toda vez que ia ao ponto de ônibus, pegava o trem, o metrô, andando de bicicleta, toda vez que lia um livro “romântico”, de aventura, de suspense, de filosofia, toda vez que ia na balada, no shopping, no parque, na praia, toda vez que pensava no vestibular, na vida, na carreira, toda vez que ouvia música internacional, funck, axé, samba, sertanejo, MPB, rock, toda vez que falava sobre política, sociologia, história, toda vez que ia comprar roupa nova, sapato, carne, pão, toda vez que a família se reunia no natal, no enterro, no aniversário, no casamento, toda vez que um cara queria ficar comigo, com minha amiga, toda vez que eu queria ficar com um cara, toda vez que assistia à um clipe musical de hip hop, ai e o etc?!. 

Toda vez que eu interagia com o mundo exterior alguma coisa não ia bem, eu sabia que algo não estava certo. Sentia algo fervendo dentro de mim, seria isso uma náusea? Uma taquicardia? Uma revolta antiga e genética? Um sentimento? Uma razão? Existe uma palavra para esse negócio horroroso?

Sim, descobri que existe. O nome desse mal-estar é revolta. Provocada por uma injustiça óbvia – leia-se descarada – e por muito tempo perpetuada por falhas culturais, ela é um dos inúmeros sintomas de uma síndrome da moral que afeta todas as vidas femininas diretamente e todas as vidas humanas em mais de um aspecto. Mas ao contrário das doenças do corpo, ela pode salvar uma vida e ao invés de destruí-la. A revolta nasce devagar, ela vem silenciosa, calma, numa tranquilidade de quem sabe a segurança dos seus próprios argumentos, então espera. A revolta é clara como o sol de Pernambuco ao meio dia, ela não precisa de artimanhas para abrir espaço, ela é alimentada por fatos, que infelizmente ocorrem diariamente. Não posso precisar quando ela começou, mas um dia não pude negar sua presença. 

Ela veio silenciosamente para me dar voz. Então eu falei! Gritei! Berrei! Extravasei! Incomodei! Ridicularizei! Ataquei! Vociferei! Argumentei! Desabafei! Rebati! Compreendi. Aprendi que meu silêncio não dava paz, alimentava de forma passiva o sistema do qual eu fingia me proteger. Descobri que minha falta de voz também era uma forma de machismo, uma forma de violência, se eu preciso estar em silêncio para não me encontrar em alguma situação desagradável ou de perigo no dia-a-dia, então isso também é uma repressão. Separar-me do convívio de mulheres que repetem palavras vazias não vai ajuda-las a extinguir este ato, não vai fazer com que eu não escute nunca mais alguma besteira machista vindo de uma mulher. Tratar outras mulheres como inimigas por instinto da natureza não vai me fazer ter a amizade dos homens, aqueles que dominam o poder do nosso sistema atual. Percebi que fechar minha vida contra pessoas que têm opiniões diferentes de mim e criar formas de preconceito para me proteger delas é exatamente o que o machismo faz, tentando me proteger do machismo eu estava me tornando igual a eles. O machismo me isolou e assim eu me sentia exatamente como eles queriam que eu me sentisse: fraca, indefesa e sozinha. (Assim, tipo a Bela Adormecida, só pra ilustrar um pouco.)

Quem nunca se sentiu assim? Quem nunca quis ir embora pra sempre? Quem nunca sonhou em ter nascido num mundo diferente? Um mundo onde todos os seres humanos fossem respeitados e tivessem as mesmas oportunidades na vida. Um mundo onde você fosse valorizado pelo o que é e o que escolhe lutar pra ser, e nada mais fosse tão importante. Um mundo onde não se tivesse medo de ser morta, estuprada, assediada, desrespeitada por toda forma de violência física, psíquica e moral todo dia.

Um dia mulheres sonharam com este mundo antes de mim e você, assim nasceu o FEMINISMO, um movimento que foi criado não por vontade ou por diversão, mas por pura e simples necessidade. O feminismo tem como objetivo a igualdade entre os seres humanos, dizer não a discriminação baseada no gênero. Não podar garotas e garotos de fazerem o que gostam, de exercer atividades com as quais se identificam somente pelo simples fato de serem garotas ou garotos. Poderia viver toda a minha vida como um fantasma que não concorda, não pratica, mas também não combate o machismo. Poderia passar a minha vida dizendo que não preciso do feminismo. Poderia passar a minha vida sem voz. Poderia passar a minha vida toda sem viver. Mas um dia eu preferi gritar, por mim e por todas! Eu prefiro incomodar, dizer “hey! Eu tô aqui e não concordo, isso não está certo e eu não vou ficar calada e só aceitar!” Hoje eu tenho dias ruins, mal humor com o mundo às vezes, desesperança e cansaço. Mas é só às vezes, é melhor às vezes estar desanimada do que todo dia.



Sendo criada num sistema machista aprendi cedo a ser insensível, comigo mesma e com os outros, principalmente com as outras. Dizem que ser sensível é coisa de “mulherzinha”. Pois eu digo que não, sensibilidade é coisa de mulherão!

domingo, 6 de março de 2016

Meu mundo

Eba! Iupi! Uhu! Oba!
Hoje eu ainda não acredito, talvez a ficha só caia quando eles chegarem, mas uma coisa é certa: as passagens estão compradas, meus pais estão vindo me visitar em maio.
Com esse lance de documentação pra realizar o casamento e oficializar minha moradia neste novo mundo eu estou impedida de sair do país, porque se eu for visitar minha família eu não posso voltar antes de  no mínimo quatro meses, uma merda de regras de ida e vinda internacional.
Mas, se eu não posso ir... eles podem vir!!!

A ideia não foi minha, uma vez que minha mentalidade brasileira ainda não se acostumou que as coisas não são impossíveis deste lado do oceano. Eu fico impressionada com as amigas do meu namorado (S.) falando que vão viajar pras Filipinas no final do mês de julho sendo que acabaram de voltar de uma viagem pra Miami e Cancun semana passada. Como assim? Fazer uma viagem pra Miami e Cancun uma vez na vida de alguém que eu conheço no Brasil seria um luxo, imagina fazer uma viagem assim uma vez por trimestre.
Posso contar nos dedos das mãos quantas pessoas conheço que já viajaram pro exterior dos meus conhecidos brasileiros. Temos tantos países vizinhos "baratos" e "fáceis" de visitar, por que os brasileiros da classe economica que eu conheço, ou seja, pessoas que trabalham todo dia por um salário "normal", não viajam? Por que é tão difícil pro brasileiro viajar pro exterior?
Bom, a resposta é simples, o "salário médio" da maioria dos brasileiros é um pouco acima do "salário mínimo", mas mesmo assim não cobre as despesas de uma sobrevivência digna mínima.

Meu irmão tá com o nome sujo por causa de aluguel, meu pai por causa de cartão de crédito, umas colegas de SP por causa das mensalidades atrasadas da faculdade, uma outra amiga por causa dos móveis do quarto do bebê. E assim vai. Ter dívida para o brasileiro se tornou a única opção para continuar se vestindo, comendo e morando sob um teto. Não são dívidas de luxo, não são dívidas que alimentam vícios, essas pessoas que conheço querem pagar seus débitos, elas não pagam porque não podem.

Onde fica então a reserva de dinheiro pra viajar pro exterior quando o cidadão não tem reserva pra comprar um remédio quando fica doente? Como viajar pro exterior quando nós não conhecemos nem o Brasil?

Sonho com o dia cuja desigualdade socio-econômica no Brasil será tão sutil como uma brisa, que a diferença entre a vida econômica de um professor da rede pública e um promotor público seja a escolha entre viajar pra Bali ou Australia, seja comer num restaurante mexicano ou chinês no sábado à noite.
O brasileiro não tem, hoje, direito a comer fora, a se vestir como quer, a ler o que gosta, a ir a um show e não ter que fazer um rombo no orçamento semestral. O brasileiro precisa de oportunidade para descobrir do que gosta. Como alguém pode saber se gosta de jogar tênis se nunca nem pegou numa raquete?
Como alguém pode saber se ama ópera se nunca entrou num teatro?

Temos fome de vida.

Registro aqui que a gente não precisa viver que nem outras pessoas vivem em países ricos pra viver bem, fazer o que eles fazem, pensar como eles pensam, a civilização "importada" não é a melhor forma de se descobrir como ser humano pleno.

Mas eu não quero só sobreviver em um país tropical matando o calor com cerveja gelada e passar o ano todo esperando fevereiro. Quero oportunidade de experimentar tudo que os ricos têm mundo afora e tudo que já temos e amamos tanto. Quero descobrir, assim como já disse o sábio Caetano, o que nós podemos fazer com a tal civilização e criar nossa própria forma de viver.

Porque existe vida no nosso hemisfério "Sul" do mundo, que pra mim não é nem de baixo nem de cima, o mundo é redondo e vive dando volta, se você diz que tá na parte de cima o problema é teu que fala de uma bola solta no espaço como se fosse um quadrado encima de uma mesa. Abestado!   

"O mundo está ao contrário e ninguém reparou [...]" Cássia Eller

terça-feira, 1 de março de 2016

WHAT HAPPENED, MISS SIMONE?

Um documentário pode ser tão emocionante como uma canção?
Uma vida pode ser resumida em menos de duas horas de filme?
O que faz uma pessoa famosa? Qual o valor, o preço e o custo da fama?

Uma vida marcada pela música, paixão pela liberdade e luta pelos direitos civis dos cidadãos negros nos Estados Unidos dos anos sessenta.
Aprender qual a nossa opinião e saber mostra-la ao mundo. O sabor de expressar-se acima dos limites dos padrões sociais vigentes. Luta por voz, por direito á vida e á liberdade. Eu estou tocada pela beleza de sua existência de luz num contexto tão ingrato, sujo e de raso egoísmo. 
Ela foi um gênio, isso não sou eu que digo, mas concordo.
  A emoção da vida ultrapassa nossa existência, num mundo em que cada segundo deprime e cada falha que cometemos mata três amigos. Viver é um eterno ato de sobrevivência. Viver é caçoar da possibilidade de hoje ser o último dia. Todo dia. 

A diretora Liz Garbus mostra neste documentário produzido com o Netflix o lado revolucionário, feminista, genial, forte e fragilizado de uma imagem profunda e inesquecível da música mundial. Nina Simone foi mais que uma cantora de Jazz, mais que uma pianista clássica, mais que uma mulher que sofreu abusos do marido, mais que uma mãe que não teve direito de criar sua filha. Nina Simone foi mais que queria e podia, o mundo tirou e continuou tirando tudo que podia de seu talento e sua vida pessoal.
O mundo coroa e depois cobra com juros a fama que dá.
Tudo tem um preço e o que Nina pagou foi injusto e caro.


Hoje minha humilde emoção e lágrimas brindam à memória desse fenômeno que nós conhecemos por Nina Simone.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Un petit peu de français

Estou estudando a língua francesa vai fazer quatro meses.
Faço o curso todas as manhãs em Lausanne, 25 minutos de casa até lá indo de carro. Geralmente pela manhã eu vou de carona com meu namorado (S.) até o metrô e pego a linha 2 direto até a praça onde se encontra a escola. Meio dia para retornar eu pego o metro até a praça de Sallaz e de lá sai meu ônibus até o "centro de nossa cidade", do centro pra casa é uma caminhada de 40 min ou uma carona de 3 min, quem me salva geralmente é o pai do S. O meu primeiro mês de curso fiz com um professor bem legal que trabalhava bem didaticamente os nossos primeiros passos no tão apavorante francês. Logo após a direção da nossa turma passou para as mãos de uma professora mais enérgica e criativa, com quem estamos até hoje.
Representação da bandeira francesa
A língua francesa é dividida, desde setembro de 2005, em seis níveis: A1, A2, B1, B2, C1 e enfim o C2. Para a prática da minha profissão aqui eu tenho que comprovar o conhecimento da língua até o B2. Porém, se eu manter a ambição de fazer um mestrado preciso do C1. Na escola onde eu estudo cada nível no curso intensivo, ou seja, toda manhã ou toda tarde, dura oito semanas e após você tem direito a um certificado de presença no curso. Isso só comprova, para fins diversos, que você assitiu à todas as aulas daquele devido nível. Mas, se alguém, como é o meu caso, precise comprovar o nível de francês tem que fazer a prova do DELF (Diplôme d'études en langue française) que de acordo com a Aliança Francesa no Brasil: "O DELF e o DALF são os diplomas oficiais expedidos pelo ministério francês da Educação nacional, para certificar as competências em francês dos candidatos estrangeiros e dos Franceses originários de um país não francófono e não titulares de um diploma de ensino secundário ou superior público francês. Criados em 1985, eles estão presentes hoje em 154 países e abrangem mais de 900 centros de exame no mundo".

Hoje eu estou na sexta semana do A2 e já comecei a ler meu primeiro livro em francês. Dois anos de férias é um livro para o público infanto-juvenil de Jules Verne, escritor francês que criou o romance científico de antecipação. Uma empresa muito inteligente fez versões de clássicos da literatura francesa para estudantes estrangeiros dessa língua com CDs de audio e questões de compreensão de texto e gramática após cada capítulo. Eu adorei!!! Para quem ama literatura como eu e se encontra estudando outra língua todo dia ter a oportunidade de ler um livro na nova língua é uma conquista sem preço. Tô tão feliz com isso! Fiquei tão empolgada que passei na livraria hoje e comprei um livro, com um assunto mais interessante para a minha idade, porém ainda com linguagem simples. Não sei se vou conseguir termina-lo antes do próximo nível, mas vou tentar. Nunca imaginei que um dia na minha vida eu iria ler um livro em uma língua que não fosse o português, que eu amo. A gente sempre acaba nos surpreendendo com a capacidade que temos e nem imaginávamos. Livrarias francófonas se preparem, eu estou indo pro B1 e tô que tô! : )   

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Confetes ao Destino

No último dia 20 uma amiga fez aniversário. Comemoraram seus 31 anos e o primeiro mês do seu bebê com uma festinha intimista. O caso é que neste mesmo último dia 20 encerrou-se o horário de verão no Brasil. Sendo assim, ao terminar o dia de sua celebração anual o relógio voltou uma hora. Este fato presentiou-os com mais uma hora de festa e, acredite quem quiser, ainda teve amigo que só desejou felicidades no dia seguinte. Mesmo um dia de 25 horas às vezes não é suficiente.


Confete de fim de festa - foto minha 2016

Ademais, fico pensando no Senhor Destino. Tem muita gente que já me disse que a hora que a gente vem ao mundo, a saída do útero, é o que determina nosso "signo" e isso vai nos influenciar a vida toda, vai ser um guia a reger os passos. Depois disso alguns outros ou alguns mesmos dizem que nosso tempo de vida está predeterminado, nossa história já foi escrita e que não passaremos mais um minuto fazendo "hora extra". Daí minha imaginação fértil e vadia fica refletindo sobre a repartição do "céu" (ou como queiram chamar o "andar de cima") responsável pelas horas do homem na Terra . Depois do avião, controlar todo o vai e vem de fuso horário, computar as idas e as vindas parciais e descontar a diferença dos minutos e horas. Deve ser um trabalho bem exaustivo. Algum tempo atrás deve ter sido um rebuliço só na repartição quando os funcionários tiveram que começar a trabalhar com os nascimentos com data marcada da cirurgia cesariana. Adaptar os destinos e signos à escolha do horário da mãe e fazer o máximo possível pra manter a ideia original de cada destino. Imagina a loucura e quantas demissões devem ter rolado quando foi necessário a criação de almas extra após os cientistas fazerem as primeiras fecundações artificiais, os famosos "bebês de proveta" (que nunca estiveram numa proveta de verdade). As mortes acidentais. A criação dos contraceptivos. As leis da física. As drogas ilícitas. A poesia e depois o cinema. O aborto. O amor. Viagem de férias.  Tantos fatores que podem mudar os destinos. Manter a ordem mundial deve ser uma verdadeira missão impossível. Acho que quando a Teoria da Relatividade for realmente colocada em prática e a máquina do tempo for inventada vai ser o fim do Senhor Destino e seus honrados funcionários da mais trabalhadora repartição que não para dia e noite no "céu", aí eles vão repetir o ato que interrompeu muitas vidas americanas na Guiana - O "suicídio" em massa de Jonestown em 1978. Eita, mas espera aí, como fica o destino de um suicida?

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Bobagem

A algum tempo eu me pego pensando na velhice. Algumas vezes penso sobre meus velhos: minhas duas avós, meu pai e minha jovem mãe, outras vezes penso sobre meu próprio envelhecimento. 
Ano passado assisti a um filme que me tocou muito pela doçura de apresentar seus protagonistas cheios de vida após a idade dos setenta anos. Quarteto é um filme que quando acaba você se encontra numa aura de sonho, é belo, é doce e é real. Eles são moradores de uma casa de repouso para antigos músicos e cantores de ópera e música clássica em geral. Quem não assistiu ainda eu recomendo e garanto boas gargalhadas. Ele faz parte da lista de filmes que minha tia está fazendo para assitir quando for velha (hahahahaha, todos temos nossos planos mirabolantes pro futuro).
Ontem eu vi outro filme protagonizado por pessoas de idade. O cinema, longe da televisão, tem se aventurado contar histórias além dos clichês, gosto bastante disso. O Exótico Hotel Marigold é divertido e leve. Uma história suave, pouco dramática, mais preocupada com fazer rir do que fazer chorar.
Gosto de ver pessoas "idosas" atuando e mostrando que mesmo que o nosso corpo envelhece a nossa mente está como sempre esteve: sendo nós mesmos. Lembro que quando eu era criança ficava esperando o dia do meu aniversário como um portal de iluminação pra sabedoria e visão plena do mundo. Como se após o relógio virar a meia noite ou ao apagar as velinhas as portas do paraíso fossem se abrir pra mim e eu seria uma pessoa como nunca fora.
Uma ilusão, os anos iam passando e o dia do meu aniversário se passava tão banal, com ou sem comemoração, que estava começando a ficar frustrada quando parei de me preocupar com a tal iluminação. Acho que isso é muito importante, parar de esperar o dia que vamos começar a viver, ou não determinar o dia que vamos parar.
Apesar de todas as diferenças esses personagens me fazem lembrar meu avô, meus pais, que como já disse, começam gentilmente  a caminhada para o amadurecimento propriamente dito.
Suas formas imperfeitas de pensar e cometer erros tentando agradar os seus queridos. Quantas vezes fazemos isso, nos tornamos intrometidos tentando ajudar aquela amiga que é como uma irmã. O excesso de intimidade de família grande, o sabor de não saber se agradece ou se aborrece com o amor transbordante que se torna intrusão. Tem gente que nunca vai saber o que é isso. Aí falando assim me lembro do Elsa e Fred, um outro filme que vi a uns dois meses atrás e apresenta dois protagonistas lindos e amorosos. Em tom de comédia trata, na minha opinião, o valor de, mais do que ser, se sentir independente na velhice. Como alguns filhos podem ser super protetores do mesmo modo que existem pais super protetores com seus filhos. Aquela velha história de que a gente nasce e morre criança.
Como o Benjamin Button. O Curioso caso de Benjamin Button foge um pouco porque não retrata só a vehice dele, mas a história desde o ínicio, porém, vou coloca-lo mesmo assim na minha lista pois é uma história particular, quem não assistiu ainda vai ter que conferir!

Abaixo uma lista dos meus outros filmes preferidos que retratam a velhice com um olhar doce, algumas vezes com comédia, outras vezes mais dramático, mas sempre cheio de vida, como realmente é!

Conduzindo Miss Daisy
Um clássico que me emociona toda vez que assisto.

Garotas do Calendário
Um olhar feminista de como a beleza não tem idade, especialmente a feminina.

Antes de Partir
Pura aventura e emoção com esses dois que nos surpreendem com classe.

Um amor de vizinha
Um pouco "versão da terceira idade das comédias romanticas americanas", mas apesar de tudo tem o charme da Diane Keaton, pra uma tarde chuvosa... cai bem!

Última viagem a Vegas
Aqui uma versão "besteirol americano da terceira idade", mas, seguindo a regra, tem o charme do Morgan Freeman. Se quiser deixar um pouco de lado a opinião "anti-besteirol"...

Trem Noturno para Lisboa
Esse é uma história um pouco mais profunda, não chamaria de outra coisa que não um romance, é um filme que parece que você está lendo um livro. Bonito!

Something's Gotta Give, outro da querida Diane Keaton, ela é maravilhosa e a quem diga que o Jack Nicholson também, bom. Não é um exemplo de filme no qual a personagem feminina tem uma grande personalidade, mas mostra direitinho como a nossa sociedade faz a beleza feminina ter data de validade, enquanto a masculina... bom. Ele é gordo e careca, mas se usar um terno e um óculos escuros tá tudo certo. Ela é magra, loira e "peituda" (padrão americano), além de tudo que ela tem de natural, ela é maravilhosa, mas mesmo assim... assita o filme!

Isso me fez lembrar de uma canção da Céu, Bobagem:

"Minha beleza não é efêmera
Como o que eu vejo
Em bancas por aí
Minha natureza
É mais que estampa
É um belo samba
Que ainda está por vir 
Bobagem pouca
Besteira
Recíproca nula
A gente espera
Mero incidente
Corriqueiro
Ser mulher
A vida inteira [...]"

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Viva a burro(cracia)

Ah, o belo sabor da burocracia. Aquele momento que você acorda tarde porque está em semana de férias, com muita calma vai até o banheiro fazer aquele xixi quentinho que dá um alívio maravilhoso depois de aproximadamente dez horas de sono ininterrupto. Escova os dentes, lava o rosto com sabonete anti-acne, mesmo estando a meses de completar o vigésimo sexto aniversário, e vai com muita alegria passar um café fresco que enche a cozinha de um aroma delicioso, aroma de saudade de amigos e da família que está longe, aroma de manhã fria, aquele cheiro de que o dia promete!!!
"Hoje nada vai abalar meu bom-humor!" - um pensamento talvez atrevido, mas com certeza precipitado - "Nada!"
Aí você se senta à mesa e o namorado entra em casa (a entrada aqui é pela cozinha, bem em frente à mesa)
"A gente recebeu uma carta do Escritório do Serviço Civil"
Opa!!! Acabamos de enviar semana passada, mais um [...], o último documento para o processo do casamento [pois é, a gente resolveu casar, longa história] só pode ser pra dizer que eles receberam e estão enviando todo o dossier pro Brasil.
"Não!!!" A vida grita, o último documento que você enviou nunca é o último mesmo. Tô pra perder a conta de quantas cartas eles já enviaram desde o 12 do 12 de 2015, ôh céus! Sempre com algum detalhe que não está exatamente como eles querem. AAAAAAAAAAAAAAAAAh!
Por que eles não mandaram na primeira carta todos os "poréns" que impedem o avanço do processo? Pra quê essa brincadeira de um passo pra frente e dois pra trás?
A gente nem quer se casar se casar mesmo, só queremos ficar juntos, o problema é que o Estado não dá outra opção pra permanecer juntos, e ao mesmo tempo,com a única opção que eles oferecem, ficam com essa burocracia gratuita pra cima da gente.

Tô vendo que depois de zuar tanto com a gente... o casal descolado que não tá nem aí pras tradições, vivendo o século XXI e inovando em não fazer festa de casamento na qual gastasse o dinheiro de um ano de bar em sete horas. Esse casal descolado pode chegar ao ponto de revolta tal que comemorar o final da maior burocracia da vida passando três dias bêbados seja maior motivo que comemorar mais um casamento nesse planeta Terra! Viva a burocracia!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Pra começar o ano, um brinde aos "Finais"

Quem não trabalha não tem calo nos dedos. A algum tempo não escrevo, é assim mesmo.
Alguns momentos o silêncio é minha única forma de expressão, juro que não chupei caju travoso pra tá assim, mas bem que não seria uma má ideia.
Vivo uma vida de temporadas, que nem os seriados do Netflix, a diferir que eu garanto sempre a temporada seguinte, com ou sem sucesso. Estou atualmente esperando "nova temporada" de mais de quatro séries, o que uma pessoa faz com isso? Que vida é essa que eu não pedi! Gostaria de desabafar, estou realmente decepcionada com a forma que as séries atuais estão sendo feitas, episódio após outro sem o final de mistério algum, um horror! Ao meu ver seriados e/ou séries diferem das novelas porque possuem episódios com histórias independentes, ou seja, com início, meio e fim, e em uma temporada o fio do desenrolar de uma só história revela também um começo, meio e fim. No máximo um acontecimento chocante para continuar na próxima temporada, mas o que me vi vivendo foi "tricotando" a tarde toda assistindo um episódio após o outro e o fim encontrava-se mais longe do que borda de piscina olímpica quando se tenta atravessar com os olhos fechados. Sem esperanças!!! Qual o problema em fazer um verdadeiro seriado? Se eu gostasse de novela me conectava ao G1, Vale a Pena ver de novo e toda essa merda requentada e batida no liquidificador, mais fácil de por guela abaixo que água e mais indigesta do que sarapatel da feira de Lagedo comido no domingo. Fica aqui registrada a minha revolta com essa moda de continuidade. Eu amo os começos, dou enorme valor aos meios, porém os finais são fundamentais, tenho uma lista enorme de pessoas que sabem começar (em qualquer tipo de assunto e arte), mas bons finais, finais épicos a gente conta nos dedos.
Qual é a dessa galera da trilogia? A primeira trilogia marcante da minha vida foi "O Senhor dos Anéis", e olha que nem sou tão nova assim. Quem viu o lançamento de "Titanic", um filme que quando acaba sua bunda tá quadrada como se você estivesse sentado por uma semana, não consegue entender como uma história do tipo "Jogos Vorazes" teve cena pra encher mais de três filmes. Isso mesmo, depois da moda da trilogia, veio a moda de dividir o final em dois filmes. O que acaba acontecendo é que a história de ir assistir aos filmes da tal "trilogia" (que hoje em dia a gente sabe que são quatro filme, com sorte) com o passar do tempo começa a se misturar a nossa própria história. Por exemplo eu, fui assistir ao primeiro filme dos "Jogos Vorazes" com o ex-namorado de SP, o segundo filme assisti com uma amiga curtindo a solteirice, o terceiro assisti com um ficante (que agora é namorado) e sai tão revoltada que eles cortaram o final em dois filmes que pra protestar a isso ainda não assisti ao quarto filme. Mas, pô, é isso aí… você pode fazer uma retrospectiva de vida (ou de namorados) só tentando lembrar com quem estava no cinema em cada filme da "trilogia"… vai se ferrar!
A vida é tão curta pra ler todos os livros que eu quero e tão cheia de coisas importantes que agora eu só vou ao cinema assistir a um filme quando tenho CERTEZA que não é filme de sequência. Eu fico imaginando isso como, talvez, uma consequência da nossa nova longevidade, afinal, a alguns anos atrás quando as pessoas viviam até os quarenta com sorte, ou no romantismo brasileiro que a tuberculose levava muitos jovens aos vinte e alguns, não ia ser um bom negócio fazer filme de sequencia uma vez que quando o terceiro filme saísse praticamente mais da metade da população que viu o primeiro não se encontrava mais entre nós, imagina o fiasco que ia ser pros bolsos dos produtores de Harry Potter!? É acho que vai mais ou menos por essa linha de pensamento, vivemos mais, podemos seguir uma sequência de filmes com roteiros enchendo linguiça, mas é no final, um luxo da longevidade do século XXI.
Um brinde ao caju verde que eu não comi, mas podia só pra não tá aqui falando besteira… amanhã tem mais!

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Ano que vem...

Eu vou.

Minha mãe acabou de correr com a minha calça na mão vinda do banheiro, “tem uma aranha, tem uma aranha nas roupas, ela é enorme, entrou no meio da tua calça”. Pronto foi o suficiente pra levantar o alvoroço na cozinha. Ela tentou espantar a aranha com água, mas ela se encolheu dentro do bolso. Meu pai foi acudir pra amiga aranha não morrer no processo de evacuação, “calma, calma, assim vai matar a coitada. Não precisa matar a aranha”, meu pai conseguiu tirar ela do bolso da minha calça, a pobre se fingiu de morta, mas ainda tava viva. Ele jogou a aranha do outro lado do muro onde tem muito mato pra ela fugir. Tomara que ela não volte porque eu tô dormindo no chão, “meu deus, será que ela já tava no quarto ontem à noite?”, durmi no colchão no chão ontem bem pertinho de onde ela apareceu, credo, tomara que nenhuma aranha tenha passeado perto de mim enquanto eu dormia, credo, credo.

Pelo menos sobrevivemos, a aranha e eu.

Um bicho aparece dentro de casa diferente do cachorro e a gente já se abala. Já começa a ficar assustado e com medo. Como a gente é besta. Tava aqui no sofá pensando na vida e uma aranhazinha abalou e tomou a cena por uns instantes. Tava pensando no que um amigo me falou uns dias atrás, “O que você vai fazer ano que vem? Vem pra cá trabalhar comigo!”, essa frase ficou ecoando dentro da minha caixa craniana como se houvesse um vazio lá dentro chamado “2016”. “O que você vai fazer ano que vem?”... “O que você vai fazer ano que vem?”... “O que você vai fazer ano que vem?”...

Fiz muito esforço durante bastante tempo para ignorar o fato de que pela primeira vez na minha vida eu não tenho uma dica de como vai ser meu ano vindouro, como diria minha vó.


“O que você vai fazer ano que vem?”

Eu vou estudar. Não sei onde nem o quê exatamente, mas sei que preciso colocar meu cérebro nas pistas novamente. Durante meu último ano da faculdade eu estava cansada demais e me prometi um ano de descanso. Agora já vou pra um ano e meio de pouca alimentação sináptica à custa exclusivamente da literatura, clássica e contemporânea. Foram boas as férias, mas sei que preciso de algo novo circulando nos corredores da minha mente.


“O que você vai fazer ano que vem?”

Eu vou viajar. Não só porque eu gosto e quero sempre, mas porque pelo menos os primeiros dias de janeiro eu vou estar em viagem, a única (quase) certeza do almejado 2016. Vou dentro de uma semana pra casa do meu atual namorado e o plano é ficar lá até a terceira semana de janeiro. Quais os outros destinos? Claro que eu não sei. Não sei se ainda vou rodar um pouco na Europa, se volto pra casa cedo, se vou dar um pulo onde meu amigo me chamou pra trabalhar um pouco e juntar uma grana (México). Ainda tem a viagem pra Argentina que tá programa é só falar “tô indo” pro Juan e ir. Se não houvesse o detalhe dinheiro eu tenho os meus dois destinos preferidos: Japão e Rússia, e de resto o mundo todo. Viajar podia ser uma profissão. Eu sei, eu sei, tem muita gente que consegue fazer disso uma fonte de renda sem ser vendendo miçanga ou tocando em estação de metrô, mas quantas pessoas você conhece que ganham a vida viajando? Pois é, eu não conheço ninguém, mas bem que eu podia dar um jeito. Quem sabe?


“O que você vai fazer ano que vem?”

Eu vou escrever mais. Descobri a bastante tempo que escrever me faz um bem danado. Já me curei de mal de amor e de tédio escrevendo. Já tive inúmeros diários, secretos e sem cadeado, já fiz alguns blogs, hoje alimento só um, muito mais ou menos. Não estou dizendo que vou escrever todo dia, nem que vou fabricar um livro ou publicar 300 postagens no meu blog. Mas eu vou escrever mais. Preciso manter meus pensamentos em dia comigo mesma e depois que fiz terapia percebi que escrevendo eu reflito bastante e consigo colocar muitos assuntos internos numa perspectiva com distância de observador. Isso ajuda muito, ainda mais em momentos que não tenho como procurar uma psicóloga boa como foi a Renata, ou por falta de tempo e dinheiro ou por preguiça mesmo. A reflexão é como editar um texto, você tem a chance de trocar algumas palavras mal usadas, reescrever expressões e realocar frases inteiras. Depois de refletir geralmente eu descubro pessoas com as quais fui injusta e não há outra saída do que ir resolver as coisas. É bom.


“O que você vai fazer ano que vem?”

Eu vou ficar “deboa”. Sou muito feliz hoje ao dizer que em agosto deste ano eu completei um ano de algo que eu, com bastante modismo, vou chamar de “deboismo”. Deboismo foi um título muito bem sacado que surgiu no facebook para denominar como uma nova religião fundamentada em viver “deboa” com todos e tudo. O que seria isso? É basicamente viver para plantar coisas boas e positivas, fugindo do que causa briga e confronto, não deixar coisas mal resolvidas, pessoas com sentimentos ruins por você se houver algo que se possa fazer. Sou assumidamente ateia e não ter religião às vezes incomoda algumas pessoas que me conhecem, brincar de ter uma religião é mais engraçado agora do que nunca. Vejo o humor derrubando de forma inteligente muitos tabus da nossa sociedade, quem sabe o Deboismo não tá aí pra confrontar algumas mentes? Desde agosto de 2014 que não alimento raiva, mágoa, rancor, tristeza, decepção nem qualquer outra coisa que possa me fazer mal ou a quem vive comigo. Isso não quer dizer que faço meditação ou que virei vegana, não, às vezes a gente cria estereótipos de como ser e fazer as coisas “por um mundo melhor”. Aprendi a criar minha própria filosofia de vida, ainda tô trabalhando nela, mas aos poucos, não tenho pressa. Admiro o Reggae criado pelo Bob, é uma ótima maneira de fazer a vida, um movimento com muito ritmo, pouca pressa, mas que não pára.


“O que você vai fazer ano que vem?”

Eu vou deixar meu cabelo crescer. Vou pintar mais as unhas de vermelho. Vou descobrir um artista novo todo mês. Vou me apaixonar por novas músicas e ouvi-las vinte vezes no dia. Vou tirar fotos em novas cidades diferentes. Fotos com amigos antigos. Vou tomar novas cervejas. Vou ler novos livros antigos. Vou ao cinema pra rir e ligar a tevê pra chorar.

Eu vou tomar sol usando filtro solar. Vou tomar menos refrigerante. Vou tomar mais o meu café sem açúcar. Vou comprar roupa nova. Vou passear de mãos dadas com alguém à tarde. Vou aprender a cozinhar alguma coisa diferente. Vou ligar pros meus pais com saudades.

Eu vou completar mais um aniversário e ficar mais perto dos trinta do que dos vinte. Vou comer sashimi como se fosse de novo a primeira vez. Vou beijar demorado e fechar meus olhos. Vou tomar chá pra curar ressaca. Vou dormir até meio dia pro tempo passar mais rápido. Vou dançar a madrugada toda como se ainda tivesse 17. Vou fazer amizade com alguém que não fala nenhuma língua que eu já ouvi na vida. Vou me perder pela quinta vez no mesmo lugar porque as ruas são todas parecidas.


“O que você vai fazer ano que vem?”
Eu vou recomeçar de novo. Se for preciso todo dia.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Ela é de humanas

Quando estava no final do colégio e me encontrei no famoso dilema de escolher qual faculdade eu vou fazer, descartei de cara uma gama de opções com o seguinte pensamento "Não manjo física e matemática, nada de "Exatas" não quero morrer de estresse e ódio pela raça humana, nada de "Humanas". Simples assim.

Quem me conhecia na época apostava que eu ia fazer alguma coisa entre ciências sociais, letras ou história, mas não rolou. Minha experiência com as ciências humanas no colégio teve grande influência nesta decisão, eu poderia resumir três anos de estudos "Humanos" em uma palavra: decepção.

Sim, porque apesar de não gostar de Exatas quando eu me esforçava e tentava manter as linhas de raciocínio 2 ao quadrado era sempre 4 e sob as CNTP os gases têm comportamento previsível. A matemática não te decepciona, ela não vai te deixar frustrada, você pode frustrar-se consigo mesma por tirar dois na prova de vetores, mas a física tá lá, intocada (pelo menos nos níveis de conhecimento que tive a honra de ser apresentada). Já as Ciências Humanas... Ah!

Decepção é uma expressão forte, mas ao mesmo tempo parece não exprimir tudo. Porém, o que esperar de estudos que têm como ponto central o ser humano e suas atitudes? Somos um monte de merda fazendo sujeira e fedor por aí.

Escolhi farmácia, fiquei no muro entre a biologia e a química, a mais experimental das "ciências exatas", muita gente achou que não ia durar, mas cá estou eu comemorando um ano e meio de formada. Uhu!
Ah! An...

Fui pro lado da ciência experimental, protegida dentro de um laboratório e outro da espécie humana, de seus estudos e de suas decepções. Fiz uma escolha, preferi estudar como salvar o corpo fisiologicamente falando de um ser humano do que entender suas misérias, cada uma sabe de seus próprios limites. Escolhi não me envolver. Estou em paz, certo?

Hum, o que tenho a lhe dizer é que a vida é uma caixinha de surpresas completamente irônica.

Não fiz letras, porém continuo lendo e indo cada vez mais fundo no mundo da literatura. Não sou uma leitora que preza quantidade, mas a qualidade tem me guiado bravamente.

Não fiz história nem geografia, mas tenho viajado e aprendido os podres e as glórias de diferentes povos, suas desgraças e assunções são lindas de se ver e ouvir, principalmente banhado a cerveja.

Não fui cursar nenhuma ciência social, psicologia ou licenciatura, mas aprendi e aprendo todo dia com os outros espécimes iguais a mim o quanto somos limitados e devemos aprender com esses limites.

Tentei fugir de ser humana, mas a humanidade que buscava evitar esteve sempre dentro de mim. Como posso fechar os olhos e dizer "feminismo é mimimi" ao abrir a caixa de entrada e ver uma mensagem da minha prima dizendo que está na delegacia porque um "malandrão" não aceitou o não que ela e a amiga deram e avançou o sinal, assedio sem abuso físico é crime sim! Ou quando toda vez que vamos ao bar e meu namorado pede as bebidas eu tenho que trocar os copos porque a cerveja é pra mim e o Martini é pra ele.

Como posso ser neutra ao ver meu próprio irmão sofrendo discriminação no trabalho e na faculdade porque "homem trans não é homem, é mulher com transtorno mental". VSF!

Como posso ser omissa se ao sair com um colega do trabalho pra beber uma cerveja e ouvir uma música a gente não pode pegar o metrô sem que algum grupinho faça piadinha e risadinhas soltando de vez em quando um "viado!".

Dá pra ser passiva de opinião quando seu pai luta por uma licença saúde remunerada por conta da igreja na qual trabalhou mais de vinte anos, tem que além de provar que está doente, abrir sua vida pessoal e circunstâncias simplesmente porque não é um câncer, que acomete qualquer um... Não, é HIV, e só pessoas devassas têm HIV, pessoas idôneas, como um pastor deveria ser, não pegam essas coisas.

Tentei não me envolver porque sabia que não conseguiria fazer pela metade e sair ilesa... Mas como é que eu vou fugir das ciências humanas quando eu sou a própria humanidade?

sábado, 21 de novembro de 2015

Dia Útil II

O que é útil? O que transforma algo de natureza abstrata em funcional dentro do cotidiano?

Algo que traga auxílio para o decorrer dos dias, das semanas, ou mais importante ainda, das horas, porque só quem vive sua própria vida sabe o poder esmagador que o rolar dos ponteiros pode ter sobre as ideias.

Tenho descoberto a funcionalidade do amor.

Não vejo uma forma mais racional de calcular o valor de algo abstrato a não ser pela ação que isso constrói. O que está dentro de nós borbulhando em banho-maria todos os dias, as convicções, ideais, motivações, vontades, sonhos, desejos, isso tudo torna-se explícito em nossas ações. Não estamos o tempo todo pensando sobre, mas nos serve como limites e fagulhas para o que fazemos. Sendo isto posto, gostaria de comentar como o amor entrou num patamar elevado dentro de minha concepção de respeito.
Vejo pessoas se apaixonarem e desapaixonarem tão facilmente e passarem por processos tão dolorosos e autodestrutivos que a muito me pergunto, por quê? O amor não é a única nem mais importante coisa que alguém pode ter na vida, disso eu estou convencida. Aí você cresce e descobre o grande mundo do namoro, depois você conhece um maior ainda, o do sexo, e experiências nascem dentro de todos os universos em caos e colisão. Depois de um período, que dependendo da pessoa pode ser de meses ou anos, alguém vai te dizer que você precisa encontrar o amor. Mas, o que é o amor? Bom, na nossa sociedade ocidental americanizada (brasileira) não se define muito bem isso abstratamente, talvez algumas novelas ensine uns truques, mas amor pode ser um tabu tanto quanto sexo para muita gente. Por outro lado, podemos dizer que se concretiza com um casamento, uma casa cheia de bugigangas, um carro, ou com o IPI reduzido e taxa zero, dois caros, dois filhos (porque um só é judiação com a criança e três já é muito gasto) e um cachorro, talvez, é que hoje em dia ter um animal significa que você é confiável, se for vegano então, posso te dar o número da senha do cartão de crédito, o que você vai fazer? Tão bonzinho! Um casamento feliz é para muita gente sinônimo de amor. Mas eu não sou muita gente.

Sou contra o casamento? Bom, esta é outra conversa. Estamos aqui mais propriamente para tratarmos de como o amor subiu no meu conceito e é claro que isso tem tudo a ver com estar alerta e reabrindo discussões constantemente, como gostaria de ver Raul Seixas.

Nos últimos meses eu me (re)questionei muita coisa, isso porque me coloquei numa situação que nunca imaginei poder ser possível: um relacionamento a distância. Foram dias muito produtivos de solidão, pensei bastante sobre o que eu realmente prezo neste mundo, percebi o quanto minha família tem um papel fundamental na minha vida. Coloquei na balança a importância de um lugar ou de uma pessoa. Vivi dias de ver muitas amizades abrindo portas de novas fases, amigos que desempenhavam um papel secundário passando a ser mais e mais importantes no meu cotidiano e aos poucos eu me dei conta de como eu amo os seres humanos.
O amor que me peguei sentindo foi universal.

Eu amo a vida, o respeito à vida e todas as formas de experimentar sentir-se vivo (sem que isso interfira na vida do próximo). Viver para os seres humanos tem um sentido a mais que a simples sobrevivência animal, nós como "homo sapiens" procuramos razões e sensação e isso é lindo. O amor que sinto me faz ser uma pessoa melhor, aprendi trabalhando com pessoas que às vezes mais importante que solucionar o problema de alguém é fazer aquela pessoa sentir que você realmente se importa com o problema dela. A "empatia" tão aclamada pela personagem interessantíssima de Audrey Hepburn em Funny Face - 1957. O amor é importante quando você está no meio de uma conversa e alguém diz "deviam mesmo era fechar a fronteira de vez pra todos esses árabes, já trabalhei no sistema penitenciário, só tem árabe lá", aí você pergunta "todos os árabes são ladrões, ou os bons árabes estão em casa, em seus países cuidando das suas vidas e os poucos aventureiros que veem pra cá tentar algo a mais do que poderiam encontrar lá, aqui também não têm oportunidades?". O amor se faz fundamental quando precisamos lembrar que além de americanos, europeus, chineses ou brasileiros nós somos humanos, quando precisamos lembrar que antes de ser minha casa, minha cidade ou meus país, moramos todos no meu planeta, mas que não é só meu, é nosso. O amor é lindo e importante quando penso no futuro e mais do que uma mega conta no banco e uma carreira ilustríssima, eu quero pessoas, humanos para dividir meus dias, minhas horas e dividir isso com qualidade. Porque viver é lindo, e o amor é importante para sermos humanos. 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Um breve ensaio sobre relação

A falta de confiança é um veneno. Conheço algumas pessoas ingênuas que confiam em tudo e em todos. Se assistir um comercial do cogumelo do sol num dia inspirado perde dinheiro. É impressionante, chega a parecer piada.

Eu não sou uma dessas pessoas.

Não nasci ontem, e apesar de também não ser velha, a gente acaba aprendendo uns truques. A escola é realmente "uma escola". Lá eu conheci várias formas de discriminação, por ser a "aluna nova", por ter "cabelo de bucha", por ser "alta", por ser "menininha", (aí bati nos meus colegas e...) por ser "machona", por ser "inteligente", por ser "crente do rabo quente", por ser "filhinha de papai" (quando a gente mal tinha dinheiro pro mercado). Muitos adjetivos que nunca fizeram sentido pra mim. Acho que o que menos fazia e o que mais me marcou foi o do cabelo crespo. O que eu não conseguia compreender é "por que eu sofro tiração de sarro com minha cara sobre algo que não posso escolher?". Além do que se aprende por tabela das experiências alheias, gordo, magro demais, preto, amarelo, com espinha, com muita maquiagem, corte de cabelo, língua presa, roupa sem marca, pai sem profissão, por não ter pai, viadinho, virgem. Mas é assim mesmo, a gente aprende que tem pessoas do seu lado que estão aí para construir e outras para destruir. Neste movimento de construção e desconstrução o mundo sobrevive e se transforma.

Confio em poucas pessoas, e geralmente é instintivo, sinto que posso confiar e confio. A partir do momento em que eu confio eu simplesmente tiro o dedo do botão de alerta. Sendo assim só existe uma pessoa que pode ligar este botão: a própria pessoa em que estou confiando, sim porque confiança é um estado, para mim, não uma qualidade, que se mantém dia após dia com a convivência.
Conviver não é sobreviver em comunidade, conviver é partilhar vida e vida requer um certo nível de qualidade, de prazer. Convívio para algumas pessoas é a única forma de construir a confiança. Para mim é a maneira que você mantém a que eu te dei.
 
Tenho que admitir que geralmente as pessoas "positivas" pagam o preço de viver num mundo cheio de outras "negativas". Explico. Usei estes termos porque acho mais apropriado para explicar opostos do que dizer "pessoas boas" e "pessoas más", o que é bom? o que é mau?
Se você tem uma experiência desagradável com uma pessoa, vamos chama-la de "negativa" isso vai lhe fazer na próxima experiência acreditar que deve se proteger porque a próxima pessoa pode ser "negativa" de novo, e se você cair no mesmo truque a culpa é sua porque não se precaveu. Então você se protege para evitar viver novamente a mesma experiência.
Porém, se esta nova experiência é com uma pessoa "positiva" e você trata-la, mesmo que por precaução, como uma "negativa", aquela paga pelo erro de outrem, e então ocorre a falta de oportunidade com igualdade. Tratamento sem preconceito, igualitário.
 
Dito isso eu lhe proponho dois questionamentos: Primeiro, é justo os "positivos" pagarem o preço da desconfiança por viverem num mundo misto de "positivos" e "negativos"?
Segundo, é justo para quem viveu a experiência desagradável ignorar totalmente o passado, como se nada houvesse ficado do ocorrido, simplesmente para que todos tenham sempre as mesmas oportunidades despretensiosamente iguais?
 
Talvez devêssemos olhar para as situações, muito além de olhar para as pessoas. Disse tudo isso como resultado de uma conversa que tive com meu namorado e alguns amigos sobre este tipo de assunto e no fundo não penso que o mundo está dividido em pessoas "positivas" e pessoas "negativas". Acho que a mesma pessoa que viveu algo com alguém e isso resultou numa experiência negativa, pode em outro momento sob outras circunstâncias viver uma experiência positiva. Já vi várias vezes uma estigmação de caráter "bons e maus", "positivos e negativos", para autopreservação ou para uma simples reprovação alheia por prazer. A algum tempo tenho me mantido alerta a minha maneira de julga os outros pelos seus atos passados conhecidos, não quero ser aquela pessoa que olha torto pros demais pelo que estas fizeram em outras fases da vida. 

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Dia Útil I

Primeira vez que fiquei sozinha em casa. Quer dizer, eu e o B., o cachorro de guarda compartilhada do S. Ele é um amor, educado e calmo, o tipo de cachorro que eu teria. Passamos a manhã toda só registrando que um sabia da presença do outro, mas ninguém dava o primeiro passo pra uma maior interação. Eu tomei banho, confundi a embalagem do hidratante com a do sabonete líquido, então tomei outro banho. Tomei café, guardei a louça limpa, limpei a mesa do café e coloquei a louça suja na máquina. Guardei as roupas secas e arrumei a cama. Reguei as plantinhas de dentro de casa e comecei a fazer algo que estava pendente a dias: editar as fotos da viagem. Fomos a Berlim e Praga, as de Berlim eu editei praticamente todas lá, mas Praga foi tão rápido e intenso que não tive tempo, então parei de enrolar e mãos à obra. Quase 200 fotos, sem problema, rever é registrar o que realmente vivi na última semana, não foi um sonho, foi real, e eu tenho provas. Mas então alguém resolve sair do seu cantinho quente e confortável no sofá e me encarar: B., o cachorro fofo. Ele me encarou tão resoluto que eu tive que admitir, dava pra ler o seu pensamento canino me advertindo "Ou, humana, você não acha que tá na hora de me dá um pouco de atenção e me levar ao toilette?"

Lá fomos nós, ele animado e eu chacoalhando de frio. É impressionante como mesmo com sol faz um frio danado, não consigo entender. Na minha concepção tropical se não tá chovendo, ventando ou nublado não tem sentido algum fazer frio. Não chove, não venta e o sol tá aí, de onde vem esse frio danado. Meu Padim!

O B. é um cachorro educado, não sei se foi com adestrador ou em casa mesmo , mas ele é, só levei ele de coleira porque ele não me conhece e eu não quero cometer o crime de perder o cachorro de ninguém no meu primeiro dia sozinha, tô nem louca! Ele sabe os lugares onde marca seu território, dava pra ver que ele fazia o caminho muitas vezes percorrido, e numa certa altura ele simplesmente deu umas cheiradas e umas voltinhas e se preparou pro coco. Fez o coco, nem olhou pra mim e foi direto fazendo o caminho de volta pra casa. Eu só pensando "esse cachorro tá me levando pra passear, ou o quê?"

Nossa manhã terminou com a chegada do S. pro almoço. Depois de comer fomos à cidade pra resolver o primeiro passo pra minha socialização aqui meu "Bilhete Único Lausannês", não sei ainda como eles chamam aqui, ainda tenho que aprender a língua francesa, quanto mais palavras cotidianas, mas depois de correr atrás de uma máquina pra tirar foto e pegar uma filinha que não deu nem estresse (impressionante como andou rápido) eu tenho meu tíquete mensal de metrô e ônibus.

Dei uma volta na região do metrô central e fui encarar o desafio de voltar da cidade  pra casa sozinha no transporte público. Cheguei bem, só dei uma errada no primeiro metrô que peguei, o sentido tava errado e na hora de descer do ônibus eu fiquei tensa porque tinham três paradas com o nome "X", mas eu descobri que a minha era a segunda. Depois quase peguei a estrada errada pra fazer a pequena caminhada de 3 km pra casa, mas assim, nada que possa me impedir de dizer: cheguei bem em casa!

Acho que a tensão dessa aventura do transporte público me deu fome, porque tomei dois copos de leite. Hum, uma pausa pra comentar: Que leite! Menino, não é à toa a fama não, o leite é delicioso, tomei puro.
O resto foi só aproveitar a emoção de ter sucesso no meu primeiro dia.
Obrigada a todos pela torcida, ao aguardo das próximas aventuras.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Serenidade

Estou em paz, serena. A serenidade é algo lindo e profundo, tem a ver com consciência limpa, com sentir estar fazendo a coisa certa, determinação por um objetivo e saber que está ou fez o possível que podia para alcança-lo. Eu fiz. Trabalhei, no trabalho e na mente, estes últimos sete meses para estar aqui e os dias foram chegando.

Amigos de longe foram passando por casa e despedidas foram sendo realizadas. A família se reuniu no final de semana e outro adeus foi selado. Mas eu não estava triste, não sentia vontade de chorar, eu só estava com saudades. Já era saudade dentro do peito, talvez porque a falta que senti em Recife nunca vai ser preenchida, a nossa família nunca mais esteve sob o mesmo teto pra morar, desde que o meu pai foi pra Miracatu. Sinto falta do que a gente era e nunca mais vai ser, o Michel casou, o pai a mãe e Ana Lucia tão na praia e eu... eu tô bolando por aí, a sem teto com mais casas que São Paulo já conheceu. Tia Socorro, Tia Beth, Fernanda, Sarah, Rafael (duas, Berrini e Morumbi), Tia Raquel, e por aí vai... muitas casas para morar, mas nenhuma pra chamar de lar. Mas é isso, saber que a gente não vai mais estar sob o mesmo teto é uma encruzilhada que a gente passa, sente um vazio, mas este vazio traz paz, como a resignação que vem depois da morte. Nossa família junta, nossa reunião acabou, mas isso já criou mais uma raiz, a família que o Michel tá construindo e jogou outra semente no mundo, eu, que uma hora arranja solo fértil.

Tô com saudade? Sim, não há dúvidas. Sinto falta? Nossa, porra, demais. Incalculavelmente. Mas estou também feliz e curiosa pra ver nosso futuro. Daqui três, cinco, nove, dez anos, a gente junto no aniversário da mãe, comendo bolo e sentindo um quentinho no coração de saber que estar junto é uma dádiva do espaço e do tempo.

 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Baixou a farmacêutica

Estou tomando antibióticos graças ao meu querido ciso, o último da saga "crie juízo". Este estimado apontou a anos, duas semanas atrás eu fui á dentista e ela disse "tudo ok", então, de repente, não mais que de repente, ele resolve se remexer na minha gengiva delicada de ladie. É pra matar de raiva.
Tudo bem, depois de achar que era um resfriado, porque doía a garganta e o ouvido, me toquei que era ele. Não tem jeito, vamos aos antibióticos.
Faz aproximadamente um ano que tomei antibiótico e não gosto. Dá dor de estômago no terceiro dia (amanhã) e acaba com meu intestino (razoavelmente regular normalmente). Mas isso é como paciente. Não se esqueçam que sou uma farmacêutica nas horas vagas, e como tal eu sei as angústias e mazelas que o uso indiscriminado de antimicrobianos pode causar, a médio e longo prazo, tanto pensando no indivíduo como na coletividade. Ainda acho que qualquer dia desse uma bactéria mega foda vai acabar com um terço da população do mundo só porque nós não temos antimicrobianos novos a toda hora e a população tá inchada dos antigos. Escreva o que estou dizendo, essa resistência bacteriana que a gente desenvolve toda vez que toma um antibiótico de maneira errada, seja por não terminar o tratamento, seja por erro de prescrição (tempo ou doses desajustados para o caso), erro de diagnóstico (medicamento para outra doença), erro de produção (dose sub terapêutica, fármaco mal produzido, falta de eficácia e segurança), enfim... qualquer que seja o motivo, a gente ainda acaba se matando.
Mas o ser humano é assim mesmo, autodestrutivo e imediatista. Eu mesma sabendo de tudo isso  tô pensando em "como vou sobreviver sem beber na minha folga sexta?"... pode uma coisa dessas?!
Eu sei que vou acabar fazendo certinho meu tratamento, dor de dente é terrível, mas nessas horas a gente se sente acima da lei, como um policial que está na rua para garantir a segurança da população e DO NADA avança o sinal vermelho porque, sei lá "estou com pressa". Isso não foi um desabafo nem um ataque pessoal.
Preciso cuidar da minha saúde. Não posso ficar doente. Sou uma péssima doente. Fico chata e irritada com tudo. Tenho certeza que estou doente quando só quero deitar no sofá com a tevê ligada (meu deus da literatura me perdoe), tomar uma sopa e ficar com a minha mãe.
Mas infelizmente não tô podendo realizar nem a vontade de sentar no metrô quando vou pro trabalho, imagine meus desejos de doente.
O jeito é isso, ir dormir pra recompor as energias e esquecer a dor de ouvido (é a que mais incomoda, mais que a do dente), e esperar que mês que vem posso ver minha mãe.
 
Ps: Resistência bacteriana, resumidamente para leigos, é quando uma família de bactérias é bombardeada com um remédio que mataria todas se fosse uma bomba nuclear, como a de Hiroshima, mas por qualquer erro, esta família de bactérias é bombardeada com pistolas. Como toda família, esta também tem membros mais fortes e outros mais fracos, alguns dos mais fortes vão acabar sobrevivendo. Depois eles se multiplicam e formam outros membros, assim como eles mais fortes. Depois de algum tempo, aquela família mais ou menos se torna uma família foda. Isso é resistência bacteriana. Ela resiste dentro de você. Ela se torna mais forte e dificilmente o tratamento utilizado anteriormente vai resolver seu caso filhote. Boa sorte.       
  

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Saudades perto

Saudade.
Nunca passou pela minha mente anos atrás que eu sentiria falta do convívio familiar. Agora tenho certeza que isso não vai voltar mais.
Meu irmão está morando com a namorada, aos finais de semana eles buscam os filhos dela, são uma nova família.
Meu pai e minha mãe não estão mais em São Paulo, para vê-los preciso pegar quatro horas de estrada. Não tenho esta disponibilidade de tempo agora.
Sinto saudade.
Sempre senti saudades. A gente mudava-se muito, eram novos amigos o tempo todo ficando para trás, porém quando penso no que passei eles sempre estiveram comigo. Minha família.
Agora vou mais uma vez seguir um caminho pelo qual eles estarão só na torcida, cada um está num jogo diferente. Isso me dá medo. Tê-los por perto é uma segurança forte e precisa, chego mesmo a conseguir tocá-la, mas não desta vez. Engraçado eu estar dizendo isso. Eu que sempre lutei por minha independência, eu que luto por me espaço. Mas é compreensível, não vou ser durona comigo. Nunca planejei encontrar o meu espaço tão longe, isso assusta mais.
Bom, vou lá que o dia tá só começando e isso tá virando um diário de novo.
Só pra constar com clareza, ainda não viajei, mas já sinto saudades.