sexta-feira, 29 de março de 2013

Verdade, a meu modo

Eu sempre fui uma pessoa que baseou escolhas e relacionamentos na verdade.

A verdade liberta.

Apesar de não ser cristã é esta a mensagem mais sábia que depreendi da Bíblia Sagrada:

 "E a VERDADE vos libertará". 

A verdade lhe tira falsas esperanças, impressões, emoções, sonhos, fantasias.
A verdade é metal frio na pele ferida, não é paliativa, ela cura e cicatriza, mas dói e corrói um futuro que não  vai mais existir, mesmo que ele nunca fosse mesmo ocorrer.
A verdade é certeza de algo que não existe (rá) e a possibilidade de novos acontecimentos incertos.

A verdade é a única coisa que tenho procurado, é uma busca infame e solitária.
É um suicídio e homicidamente justa e abrupta.
Hoje eu não tenho nada nas mãos, dedos vazios, sonhos maiores que meus braços para carregar,
uma vontade de abraçar o momento do agora e não deixar ele virar passado.
Hoje eu sou mais verdadeira comigo mesma, a pessoa mais dura e exigente que poderia existir pra mim, começo a me aceitar humana.
Hoje minha única veste é o sangue que escorre do meu corpo desfigurado e esfolado, para me despir de tudo que não é real e de tudo que eu tenho que me desfazer para encontrar a minha verdade. O que dentro de mim é verdade. O que dentro de mim pode não fazer sentido - ainda. Dói me procurar aqui neste corpo.

Tenho cometido erros, tenho me ferido, tenho dormido de olhos abertos para enxergar o mundo.
Tenho olhado pela janela, tenho tomado banho de água morna pra tentar aquecer meu corpo, tenho bebido litros para fechar os olhos e me enxergar aqui - dentro.

Amanhã? Não sei.

A verdade é que eu nunca conseguirei saber quando e onde a verdade pura e descosida da alma encontrei/encontrarei/encontro.
A verdade é que eu sempre vou procurar.
Não sei em que pé eu ando, mas posso imaginar em que nuvem minha cabeça voa.


domingo, 14 de outubro de 2012

Chorona

Um dia visitando um casal de idosos simpáticos e contadores de histórias e duas coisas que amo:
Ouvir histórias;
ficar perto da natureza.

Adorei estar perto de avós, mesmo que não sejam os meus.
Fui criada visitando os avós (um vô e duas vós) todas as férias, uma, duas vezes ao ano.
Este ano meu avô morreu e para dar força pra minha mãe eu me mantive forte e não chorei, não sei se era o que ela precisava naquele momento, não sei dizer ao certo, mas bloqueei meu choro na hora, no correr do dia, e em todo o mês que acabou por ser substituído por outro, e mais outro, não lembro mais que mês foi, talvez em abril ou maio.

Porém, este final de semana, na casa daqueles adoráveis velhinhos, com todo o jeito e as peculiaridades, mesmo eles sendo tão diferentes dos meus avós, eu me senti tão perto deles, especialmente do meu vô, que algo se mexeu dentro do peito.

E vim para casa à tarde com um rebuliço dentro de mim inconsciente ainda do que se tratava.
Cheguei e aos poucos como uma represa que a algum tempo estava sentindo nas fundações a pressão de muitas águas, rachaduras de alguns dias, não sei ao certo, mas explodi. Chorei, lamentei e senti uma imensa saudade que parecia que não caberia no peito.

Eu chorei hoje a morte do meu avô.
Não aceitei sua ausência ainda, mas hoje eu não precisei mais ser forte,
fui apenas eu.

Chorona e sensível!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Melodia

"A nega lá em casa
Não quer trabalhar
Se a panela tá suja
Ela não quer lavar
Quer comer engordurado
Não quer cozinhar
Se a roupa tá lavada
Não quer engomar
E se o lixo tá no canto
Não quer apanhar
E prá varrer o barracão
Eu tenho que pagar
Se ela deita de um lado
Não quer se virar
A esteira que ela dorme
Não quer enrolar
Quer agora um cadilac
Para passear..."
(Riachão - Cássia Eller)