segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Anunciação de saudade

Aquele sentimento de nostalgia gostosa e melancólica.
Aquela dor na garganta sem motivo, muito menos aviso prévio.

Aquilo que dá um reboliço no peito em plena tarde ensolarada,
não pergunta onde você tá, com quem e muito menos fazendo o quê.

Quando uma lembrança toma conta da visão e parece se tornar tátil.
Quando um cheiro invade o ambiente sem fonte de origem.

A saudade é algo que se alimenta de ausências, me disse um sábio.

A saudade é vontade de viver mais um pouco do que já foi vivido,
sem ciúmes, sem inveja, sem ganância,

um sentimento tão puro quanto o de que o sorvete de chocolate não derreta tão rápido
em pleno verão nas mãos de uma criança sorridente.

Faz-se então presente o que está ausente e aí então, quem quer que seja eu,
não estou mais sozinho.

Não sou mais eu,
somos nós.

Somos todo!

6 comentários:

  1. Muito linda a imagem da saudade como um sorvete que a criança sorridente não quer que derreta.
    Sou feita de saudades, ela me move.
    Beijos

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    1. Saudade que move é saúde.
      Saudade que abate é tristeza.

      Viva as lembranças!

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  2. - ausência e solidão são, necessariamente, condições. e, como toda condição, depende do que guardamos em nós.
    permitir-se e transcender para além dos ambientes e dos sentimentos, é sempre a melhor maneira de compreender mais sobre o todo.

    ps: Nathi, fique a vontade para divulgar a poesia em suas redes sociais. Lembre-se somente de remeter os créditos :)

    grande abraço,

    Gustavo

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    1. Divulguei, porque com o que é bom a gente não pode bancar o egoísta.

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  3. Saudade... Atualmente não me sinto saudosa... Acho que estou vivendo muito mais lá no futuro. O que é ruim. O que é bom.
    Dizem que quando a gente pára de olhar para trás é quando realmente estamos no caminho certo. Isso, em parte, parece verdadeiro. Se a vida está tão excitante, por que, então, revisitar momentos passados, pessoas passadas? Quando focamos em produzir, em construir o novo.
    Mas, como não somos robozinhos, somos de carne e osso, a verdade é que a mente e a emoção seguem uma lógica orgânica completamente imprevisível. E vem aquele saudosismo do nada.
    Aliás. Como é o nome daquela lembrança ruim que vem do nada, mas que preferíamos esquecer? Não é saudade, né? Deve ser algo mais próximo de assombração.
    Enfim. É que é o que me ocorre mais. Assombrações mais do que saudades. Então, no meu caso, prefiro viver mesmo lá no futuro o maior tempo possível, já que o presente é quase impossível de vivenciar...
    Acho que saudade só tenho de vez em quando e é da infância. Eita. Aí é uma saudadesinha meio triste, confesso. Gostava mais dessa época. Mas não voltava no tempo nem se me pagassem. O que passou passou. E passar pela tortura da escola tudo de novo? Eu hein!
    Mas saudade, além de ser um sinal de ausência, é sinal de vida. Sinal de que viveu e viveu bem. E talvez uma promessa de continuar vivendo bem.

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